Mesmo após Aumento de Juros O Brasileiro Continua se Endividando

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Postado em 02/06/2011.

O crédito na economia brasileira avançou 1,3% em abril ante março, atingindo um total de 1,776 trilhão de reais, informou nesta segunda-feira o Banco Central (BC). O resultado equivale a 46,6% do Produto Interno Bruto (PIB). Em março, o total de crédito equivalia 46,5% do PIB. O ritmo de crescimento em abril é maior que o verificado em março, quando o saldo das operações de crédito do sistema financeiro teve uma expansão de 1% em comparação com fevereiro. Já a taxa de juros das operações de crédito livre subiu de 39% em março para 39,8% em abril – é o quinto mês consecutivo de alta. Até o mês passado, os juros dos financiamentos subiram 4,8 pontos porcentuais no acumulado do ano e, nos últimos 12 meses, o aumento soma 5,5 pontos porcentuais.
De acordo com os dados do BC, nos 12 meses encerrados em abril a expansão do crédito já soma 21%. Nos últimos três meses, o crescimento foi de 3,7% e, no acumulado de 2011 até abril, a alta é de 4,1% . Pelos dados do BC, o chamado crédito livre – aquele feito com recursos que os bancos podem usar como quiserem – registrou aumento de 1,4% no estoque das operações em abril, em comparação com março. Já o estoque dos recursos direcionados apresentou alta de 1% no mesmo período.
Juros – Nas operações de pessoa jurídica, a taxa de juros caiu, passando de 31,3% em março para 31% em abril. Por outro lado, para as pessoas físicas, os financiamentos estão mais caros: a taxa de juros subiu de 45% para 46,8% no mesmo período. Enquanto a taxa dos empréstimos para empresas no acumulado do ano até o mês passado subiu 3,1 pontos porcentuais, o encargo para pessoa física registrou crescimento duas vezes maior, de 6,2 pontos porcentuais. O juros do cheque especial passaram de 174,6% em março para 178,05% anuais em abril.
Já o spread médio das operações de crédito livre subiu de 26,8 pontos porcentuais em março, para 27,7 pontos porcentuais em abril. O spread representa a diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa efetivamente cobrada de consumidores e empresas.
Em 2011, até o mês passado, o crescimento do spread é de 4,2%. Nas operações de financiamento das pessoas jurídicas, o spread recuou, passando de 19,6 pontos porcentuais para 19,4 pontos porcentuais, em base mensal. Na pessoa física, por outro lado, houve uma expansão, de 32,4 pontos porcentuais em março para 34,2 pontos porcentuais em abril. No ano, até abril, o spread das operações para pessoa física já subiu 5,7%.
O curioso é que como já tratado anteriormente no blog do Pinheiro Advogados não houve qualquer mudança econômica ou política para justificar a alta dos juros. Segundo “especialistas” a taxa de juros é calculada conforme o risco da operação, ou seja quanto maior a inadimplencia maior os juros. Contudo, a taxa de inadimplencia para pessoas físicas registrou alta de apenas 0,1% para o mês passado, conforme dados do Banco Central. Além desse pequeno aumento não justificar a subida dos juros, pode ter sido registrado devido a mudanças no critério de aferição da inadimplência. Diga-se de passagem que o brasileiro é o povo que mais paga juros abusivos sem reclamar, quanto menor a renda do devedor mais ele paga, seja por falta de informação sobre seus direitos, seja por medo.
Portanto, diante desse aumento de novos financiamentos e empréstimos registrado só nos resta uma conclusão: Que os juros no Brasil são calculados pela lei da oferta e da procura, quanto mais pessoas estiverem interessadas em se endividar maior serão os juros, quanto menos pessoas menor os juros.
O problema causado por esse critério de cálculo de juros está no fato de ser o crédito elemento essencial para a economia e sendo o Brasil um país em desenvolvimento, jamais poder-se-ia exigir do brasileiro que não endividar-se, pois o faz por mera necessidade. Logo, enquanto os Bancos continuam com essa política de estagnação do país com seus juros abusivos, só resta ao brasileiro reclamar seus direitos na justiça.

Att.,
Dr. Davi Chedlovski Pinheiro
www.pinheiroadvogados.com.br
OAB/PR 2.375