O Crédito de Longuíssimo Prazo e a Falta de uma Cultura Imobiliária Começam a Criar Bolha Imobiliária

O Crédito de Longuíssimo Prazo e a Falta de uma Cultura Imobiliária

Embora o imóvel seja o bem mais precioso, a maioria das famílias não tem a cultura de se programarem para comprá-lo aos seus filhos. Cada vez mais surgem novas células familiares e cada vez mais cedo, sem que haja algum lugar seguro para essas pessoas morarem. De olho neste cenário, os bancos e as construtoras passaram a oferecer seus serviços de escravidão financeira eterna para aquisição de imóveis novos de qualidade duvidosa e superfaturados ou de usados com preços inflados. O resultado disso somente poderia ser uma Bolha Financeira prestes a explodir daqui a alguns anos.

Depois da forte valorização dos preços nos últimos anos e dos sinais de que o comprador não pretende suportar mais um ciclo de alta de preços, existe a possibilidade de um recuo generalizado nos valores dos imóveis, e a pessoa que adquiriu seu imóvel por duzentos mil reais, por exemplo, verá seu preço cair para oitenta mil. Situação que se agrava ainda mais se foi adquirido financiado em 240 meses (vinte anos).
Qualquer pessoa em sã consciência deixará de pagar as prestações para adquirir outro imóvel à vista, como deveria ser desde o início não fosse a exploração financeira.
Agora imagine-se a quebradeira na economia nacional. Mesmo quem passou pela moratória do Plano Collor, não faz idéia do problema. Nosso país não está preparado para enfrentar uma recessão semelhante a de nossos vizinhos americanos, e o risco de explosão da Bolha é cada vez mais real.
O economista e pesquisador especializado em Macroeco­­nomia Luciano D’Agostini, assim como o Pinheiro Advogados, também acredita que haja um bolha no setor. D’Agostini salienta outros fatores que podem fazer a demanda por imóveis recuar, a inadimplência subir e os preços caírem. Um eventual au­­mento da taxa de desemprego, hoje em níveis historicamente baixos, pode comprometer o orçamento das famílias, que nunca estiveram tão endividadas. “Com o alto grau de endividamento, qualquer aumento da taxa de desocupação, ainda que sensível, é capaz de causar problemas”, diz.Y
Segundo ele, pelo menos dois fatores indicam, tecnicamente, a existência de uma bolha: o rápido e vigoroso crescimento do crédito, acima do ritmo de avanço real da renda, e o alongamento das parcelas de pagamento, ainda com juros altos. “Esses fatores criam uma ilusão monetária que é uma característica em mercados que tiveram bolha”, diz.
Para ele, há risco de queda de preços dos imóveis nos próximos anos. “Uma queda de 15% significa uma bolha fraca. Se chegarmos a 35%, teremos uma bolha moderada”, afirma. A percepção de que os preços do imóveis atingiu valores infundados também pode ser explicada, segundo o economista, pelo descasamento dos preços do imóvel e do aluguel. Um apartamento hoje comprado por R$ 200 mil não consegue ser alugado perto de 0,7% de seu valor – algo em torno de R$ 1,4 mil –, o que mostra a distorção”, diz.

Att.,
Dr. Davi Chedlovski Pinheiro
http://www.pinheiroadvogados.com.br
OAB/PR 2375

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Postado em 19/03/2012

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