Bolha Imobiliária

Bolha Imobiliária Continua Crescendo…

Preço de usados sobe 14,8% na capital, mesmo com vendas menos vigorosas.
Disponibilidade de crédito e demanda reprimida explicam a alta, registrada nos últimos 12 meses.

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AMANDA MILLÉO, ESPECIAL PARA A GAZETA DO POVO
Aniele Nascimento/ Gazeta do Povo

Apartamento à venda no Centro de Curitiba: preço crescente dos imóveis novos tem influenciado a cotação dos usados
O preço do metro quadrado dos imóveis usados de Cu­ritiba subiu 14,8% nos últimos doze meses, quase o triplo da inflação oficial do mesmo período, segundo dados do Instituto Paranaense de Pesquisa e Desenvolvimento do Mercado Imobiliário e Con­dominial (Inpespar). A al­ta, segundo especialistas, é resultado da disponibilidade de crédito em um ambiente em que a demanda reprimida por habitação continua grande, apesar das vendas crescentes dos últimos anos.

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Estimativas da Câmara Bra­sileira da Indústria da Construção (CBIC) apontam que Curitiba e região possuem atualmente 50 mil famílias em busca da casa própria – é o que os economistas e urbanistas costumam chamar de déficit habitacional. Ainda que não se reflita em vendas de fato, o desejo de compra pressiona os valores dos usados. “A percepção das imobiliárias de que o mercado pode se aquecer a qualquer momento faz com que o preço se mantenha em alta”, explica o professor Lucas Dezordi, coordenador de Economia da Universidade Positivo.

Esse aquecimento, entretanto, está demorando. Os dados do Inpespar mostram que está mais difícil vender uma casa ou apartamento hoje do que era há 12 meses. O Índice de Vendas dos Usados Sobre a Oferta (Vuso) mostra uma queda de três pontos porcentuais no período. Em agosto de 2011, de cada 100 imóveis usados postos à venda, 7,2 foram vendidos no mês (Vuso de 7,2%). Em agosto deste ano, o índice era de 4,2%.

Mesmo com esse recuo no número relativo de vendas, os preços se sustentaram porque o crédito imobiliário garantiu o fechamento de um número crescente de negócios. “Os preços sofrem fortes reduções quando o financiamento seca. Mas os financiamentos aumentaram 24% e, mesmo que a oferta tenha crescido, não foi o suficiente para reduzir o preço. Como ainda há crédito, há possibilidade de a demanda voltar a crescer”, afirma Dezordi.

Fazer o preço

A comparação com os novos e o perfil das unidades contribuiu para o aumento do usado. “As pessoas que querem vender buscam os valores dos novos para saber qual preço colocar. Acredito que o preço tenha subido por conta desta comparação”, aponta o presidente do Inpespar, Luiz Fernando Gottschild.

O consultor Marcos Kah­talian, sócio da Brain Bureau de Inteligência Corporativa, observa que a dificuldade em estabelecer o preço do usado elevou a cotação do metro quadrado. “Em muitos casos o preço do usado se aproxima do novo e isso gera um volume menor de vendas dos usados, porque, em tese, eles deveriam ser mais baratos. Não foi a demanda que pressionou o aumento, mas a dificuldade em colocar um preço adequado ao usado”, diz. Segundo dados de julho deste ano da Associação dos Dirigentes do Mercado Imobiliário (Ademi-PR), o preço médio do metro quadrado para residenciais novos em Curitiba é R$ 2.942, considerando a área total. Valor 10% mais alto em comparação aos usados no mesmo mês.

Outro fator de influência é o perfil das unidades. “Se há mil apartamentos à venda em Curitiba e um for uma cobertura decorada, com mil metros quadrados no Ecoville, este imóvel sozinho fará com que o preço médio do metro quadrado suba. Se no mês seguinte for a mesma quantidade de imóveis, mas menores, com acabamento modesto, eles puxarão a média para baixo”, exemplifica Daniel Poit, professor da Universidade Tecnológica Federal do Paraná.

Att.,
Dr. Davi Chedlovski Pinheiro
http://www.pinheiroadvogados.com.br
OAB/PR 2375
Postado em 19/09/2012

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