Empreendedor

Empreendedor que consegue crédito ainda paga caro.

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O cenário econômico nos últimos 12 meses não poderia parecer melhor para o empreendedor que pensava em pedir empréstimo para abrir ou aumentar os negócios: juros em queda e crédito em expansão. No período, a taxa básica de juros (Selic) caiu cinco pontos porcentuais, chegando a 7,5% ao ano em agosto. Já o volume de crédito para pessoas jurídicas, medido pelo Banco Central (BC), passou de 500 bilhões de reais para 598 bilhões reais.
Motivado por essas notícias, o paulistano Rafael Soarano, de 38 anos, decidiu tirar do papel um projeto que tinha há tempos: ampliar sua fábrica para comportar uma nova linha de produtos. O empresário é dono da Plaslatina, fabricante de utensílios de plástico para casa que faturou 1,4 milhão de reais em 2011. “Pensei que era o momento ideal para obter recursos nos bancos”, diz. “Mas a realidade mostrou-se muito diferente”, lamenta.
No último mês, durante três semanas, Soarano buscou um crédito de 300 000 reais para pagamento em 48 meses. Munido de toda a documentação comumente solicitada para um empréstimo, como balanços financeiros, comprovação de patrimônio e uma relação de seus clientes mais importantes, ele fez uma via-crúcis pelas agências de alguns dos maiores bancos de varejo brasileiros. Não teve problemas para a aprovação do crédito, mas as taxas oferecidas eram de 4% a 4,5% ao mês, com prazo máximo de 24 meses. “É uma condição que inviabiliza qualquer investimento”, afirma. Ele tentou negociar, sem sucesso. “Apelei até para a questão socioambiental, já que 95% do total de matéria-prima que utilizo é reciclada, mas não adiantou”, conta. “Agora, vou ter de rever meus planos.”

empreendedorJuros altos – A experiência de Soarano ilustra o que acontece com centenas de empreendedores em busca de dinheiro nos bancos do país. As taxas de juros, mesmo sendo as mais baixas da série histórica calculada desde 1999, continuam altíssimas. De acordo com um levantamento da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) que considera os juros de empréstimos para capital de giro, cheque especial e desconto de duplicatas (veja quadro com algumas taxas), o empreendedor brasileiro pagou em agosto taxa média de 3,4% ao mês – mais de 50% ao ano. “Não há margem de lucro que resista”, diz o economista Miguel José Ribeiro de Oliveira, coordenador de estudos econômicos da Anefac. “As grandes empresas até conseguem linhas de crédito mais favoráveis, mas isso ainda não acontece com o pequeno empresário”, explica o especialista.
Para 58% dos empreendedores ouvidos em julho pelo Sindicato da Micro e Pequena Indústria de São Paulo (SIMPI), as elevadas taxas de juros são o maior impeditivo para buscar crédito – o que poderia, se houvesse concessão em maior volume, colaborar para o aumento da taxa de investimento doméstica. Segundo a pesquisa, apenas 28% dos associados tentaram abrir uma linha de crédito no primeiro semestre de 2012 – e 10% tiveram o empréstimo negado.
Nos Estados Unidos, o crédito para pequenos negócios nas instituições financeiras tem um custo médio quase seis vezes menor que o verificado no Brasil: 7,7% anuais, que podem cair para até 1,5% ao ano se o banco e a empresa enquadrarem-se num plano de estímulo do Departamento do Tesouro americano, em vigor desde 2010.
Expectativa – “Tradicionalmente, os juros nos bancos de varejo caem numa velocidade muito menor que a Selic”, avalia o economista Pedro Gonçalves, consultor do Sebrae em São Paulo. “As empresas de pequeno e médio porte só devem começar a perceber com força o efeito dessas mudanças no mercado de crédito no final do ano.” Até lá, sugere o economista, os empreendedores podem se preparar; organizando as finanças das empresas, por exemplo. “Balanços e documentos para comprovar a capacidade de pagamento sempre ajudam a negociar crédito no momento oportuno”, diz Gonçalves.

Att.,
Dr. Davi Chedlovski Pinheiro
http://www.pinheiroadvogados.com.br
OAB/PR 2375
Postado em 18/09/2012

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