CRÉDITO.

Juro na cadeia da Petrobras cai até 50%

No programa Progredir, contrato com estatal serve de garantia para o financiamento, que é disputado por dez bancos

  • FERNANDO JASPER
  • Aniele Nascimento/ Gazeta do Povo

 

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Juarez de Oliveira, da Servimec: empresa usou dinheiro do Progredir para comprar equipamentos.

 

Fornecedores e subfornecedores da Petrobras têm obtido empréstimos com juros até 50% mais baixos que os cobrados no mercado. O barateamento é resultado do Pro­gredir, programa que no mês passado ultrapassou a marca de mil operações em todo o país. Ao todo, 450 empresas de 21 estados financiaram R$ 5,2 bilhões desde meados de 2011, quando a linha de crédito entrou em vigor.

Dois fatores contribuem para as taxas reduzidas. Um deles é que os contratos assinados com a Petrobras servem de garantia para os empréstimos, o que reduz o risco da ope­ração. Outro fator, talvez o principal, é que os pedidos de financiamento são enviadosaos dez bancos participantes da iniciativa, que passam a disputar a concessão do empréstimo. Quanto maior o interesse em um contrato, menores serão os juros.

 

Abaixo da média

Segundo a Petrobras, a redução do custo dos financiamentos varia de 20% a 50% em relação às taxas convencionais. Em alguns casos, o juro fica abaixo de 1% ao mês, bem menos do que os bancos comerciais cobram. Nas linhas convencionais, as empresas brasileiras pagam em média 1,28% ao mês para obter capital de giro, e 1,44% na média de todas as operações, de acordo com o Banco Central.

Cadastrada na Petrobras des­de 1992, a curitibana Enge­foto financiou em 2012 pouco mais de R$ 2,2 milhões pelo Progredir, em dois contratos. Em um deles, conseguiu taxa de 1,35% ao mês e em outro, de 0,92%. Especializada em cartografia e projetos de dutos, a empresa usou o dinheiro em serviços para o gasoduto Gasbel II, entre Rio de Janeiro e Minas Gerais.

“Além de a taxa ser melhor que as do mercado, o programa é rápido, eficiente e impessoal, pois cadastramos nos­sa intenção e os bancos nos passam a proposta, cada um brigando para oferecer o maior empréstimo e a menor taxa”, conta Izolda Machado de Mello, gerente administrativo-financeira da Engefoto. Para ela, o formato obriga o mercado financeiro a “se mexer”: “Alguns bancos admitiram que terão de se reestruturar para poder competir”.

Pequeno porte

O Progredir não é restrito a grandes empresas. A mecânica Servimec, de Curitiba, que tem cinco funcionários, pegou um empréstimo de R$ 100 mil. Responsável pela manutenção de 100 veículos leves e pesados da frota da refinaria Repar, a empresa investiu os recursos para melhorar sua estrutura: comprou elevador, soldas e equipamentos eletrônicos. A liberação dos recursos não foi tão rápida. Mas a espera compensou, diz o proprietário, Juarez Sérgio de Oli­veira: “Começamos a trabalhar com o Progredir em março do ano passado, e o dinheiro saiu em julho. Eu vinha pagando mais ou menos 3,5% ao mês pelo capital de giro. Pelo Progredir, consegui uma taxa de 1,2%, no mesmo banco”.

Paraná obtém apenas 2% dos recursos

Apesar dos avanços dos últimos anos, o Paraná ainda está na periferia da indústria do petróleo. O estado foi apenas o sexto destino dos financiamentos do Progredir, com R$ 109 milhões, o equivalente a 2,1% dos recursos liberados – participação bem inferior ao peso da economia paranaense no PIB brasileiro, de 5,8%. Dezessete empresas foram beneficiadas no Paraná, em 20 operações.

A maior parte do dinheiro foi para estados que abrigam grandes e tradicionais fornecedores, como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais – juntos, os três levaram quase 80% dos recursos.

Para conseguir dinheiro pelo Progredir, a empresa tem de fazer parte do cadastro de fornecedores da Petrobras, o que não é tarefa simples. A empresa interessada tem de cumprir uma série de requisitos (veja quadro nesta página), o que leva muitas candidatas a desistir no meio do caminho.

“Demoramos mais de seis meses para conseguir todos os documentos e cumprir as exigências. Tem que estar tudo nos conformes”, conta Juarez Sérgio de Oliveira, da Servimec, que faz parte do “supercadastro” da Petrobras desde 2005.

 

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Att.,
Dr. Davi Chedlovski Pinheiro
www.pinheiroadvogados.com.br
OAB/PR 2375