Estoque de crédito cresce 0,7% em fevereiro; juros sobem!

 

Nós do Pinheiro Advogados já vínhamos denunciando aqui:

https://pinheiroadvogados.org/2012/12/21/inadimplencia-cai-e-juros-sobem/

 

As taxas de juros dos bancos particulares são formadas com base na lei da oferta e procura, e não com base no risco de cada operação, como deveria ser.

Aqui está a prova, pois estamos num momento onde a Taxa Selic se encontra no menor patamar desde sua criação, onde as taxas de juros dos empréstimos pessoa física e jurídica voltaram a subir, e onde a inadimplência recuou. A única mudança que causou o aumento dos juros pelos bancos particulares foi simplesmente o aumento da procura.

 

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O estoque total de crédito no Brasil subiu 0,7% em fevereiro ante janeiro, chegando a 2,384 trilhões de reais, ou 53,4% do PIB (número estável em relação a janeiro), informou oBanco Central (BC) nesta terça-feira. No trimestre encerrado em fevereiro, a carteira cresceu 3,2% e, em 12 meses, 16,8%.

De acordo com a autoridade monetária, ocrédito para pessoas físicas subiu 0,5% em fevereiro e 16,2% no acumulado de 12 meses. Já para as pessoas jurídicas, a alta foi de 0,9% no mês passado e de 17,3% no acumulado de 12 meses.

O estoque de crédito total (livre e direcionado) nos bancos públicos cresceu 1,1% em fevereiro em relação a janeiro, informou o Banco Central, somando 1,152 trilhão de reais. Nas instituições privadas nacionais aumentou 0,7%, para 848 bilhões de reais. Nos estrangeiros, recuou 0,1% no mês passado, para 382 bilhões de reais. Em 12 meses, o crescimento foi de, respectivamente, 28,9%, 6,9% e 8,4% nessas três categorias de bancos.

Juros – A taxa média de juros no crédito total, que inclui também as operações direcionadas, subiu de 18,6% ao ano em janeiro para 18,7% ao ano em fevereiro. O juro médio do crédito direcionado caiu de 7,3% ao ano para 7,2% ao ano em igual comparação. Já a taxa média de juros no crédito livre subiu de 26,2% ao ano em janeiro para 26,4% ao ano em fevereiro.

Para pessoa física, a taxa média de juros no crédito livre avançou de 34,6% ao ano em janeiro para 35,1% ao ano em fevereiro, enquanto que para pessoa jurídica, a taxa média de juros se manteve em 18,9% ao ano. Entre as principais linhas de crédito livre para a pessoa física, destaque para o cheque especial, cuja taxa subiu de 138% ao ano para 138,5% ao ano em igual comparação. Para o crédito pessoal, subiu de 37,3% ao ano para 37,9% ao ano e, para veículos, os juros se mantiveram em 20,5% ao ano.

 

Os números já consideram a nova metodologia aplicada desde o mês passado pela autoridade monetária para o crédito livre, que passa a considerar novas linhas de financiamento, como leasing, desconto em cheque, antecipação de fatura de cartão e cheque especial para pessoa jurídica.

Calotes – O BC informou também que a inadimplência média do crédito recuou de 5,7% em janeiro para 5,6% em fevereiro. No caso de pessoa jurídica, houve estabilidade da taxa de um mês para o outro, em 3,7% – o quarto mês em que não há mudança no patamar de inadimplência  de PJ.

Em relação à pessoa física, houve uma queda de 7,9%, para 7,7% no período. Desde dezembro de 2011, o BC não registrava uma taxa tão baixa para a inadimplência de pessoa física. Vale lembrar que esses dados fazem parte de uma nova metodologia para nota de crédito apresentada pelo BC desde janeiro.

A inadimplência no crédito pessoal passou de 4,7% em janeiro para 4,6% no mês passado. A redução do calote no cheque especial foi ainda maior no período, saindo de 8,2% no primeiro mês de 2013 para 7,5% em fevereiro. No caso de aquisição de veículos houve estabilidade da inadimplência pelo terceiro mês consecutivo, em 6,4%. Já na aquisição de outros bens houve uma redução pequena no período de 9,8% para 9,7%. Pela nova metodologia, o BC passou a divulgar o calote no cartão de crédito. Pelo documento, a taxa saiu de 27,9% em janeiro para 26,3% em fevereiro.

Segmentos – As operações de crédito para habitação no segmento pessoa física cresceram 2% em fevereiro ante janeiro, totalizando 266,491 bilhões de reais. No acumulado de 12 meses, a expansão desse tipo de crédito está em 34,3%. Do valor total do crédito imobiliário, 239,582 bilhões de reais se referem a empréstimos concedidos com taxas reguladas pelo governo e 26,909 bilhões de reais a taxas de mercado. O BC deixou de incorporar nesses dados as operações com crédito livre, alegando que elas são residuais.

Já para a compra de veículos, o crédito por pessoa física caiu 0,4% em fevereiro em relação ao mês anterior, recuando para 192,770 bilhões de reais no mês passado. No primeiro bimestre, houve retração de 0,2%, e, em 12 meses, houve crescimento de 6,3%. O saldo de operações de leasing para compra de veículos por pessoas físicas registrou redução de 6,1% ante janeiro, caindo para 15,563 bilhões de reais no fim de fevereiro. No bimestre, a queda é de 12,2% e, em 12 meses, o recuo foi de 50,7%.

(com agências Reuters e Estadão Conteúdo)

 

Att.,
Dr. Davi Chedlovski Pinheiro
www.pinheiroadvogados.com.br
OAB/PR 2375