Juros Abusivos Causam Recessão no Paraná

segunda-feira, 27 de maio de 2013
Juros Abusivos Causam Recessão no Paraná

Consumo cresce menos no Paraná
Gasto com bens e serviços deve subir 8% neste ano, metade do avanço de 2012. Uma das razões é a contenção de despesas da endividada classe B

27/05/2013, 00:16
CRISTINA RIOS
Henry Milleo/ Gazeta do Povo

Aumentos nas contas fixas e a compra de um carro e um tablet inflaram o orçamento de Rogério e Claudinéia Nakagawa
As famílias do Paraná deverão desembolsar R$ 185 bilhões em consumo de bens e serviços em 2013, 8% mais do que em 2012. O montante vai para pagar prestação da casa própria, aluguel, despesas com o carro, com alimentação dentro e fora de casa, a escola dos filhos, material de construção, a viagem de férias e o plano de saúde, dentre outros.

O consumo ainda deve girar mais rápido que a economia em geral – a previsão é de um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) próximo de 3%. Mas o ritmo de aumento do consumo será mais lento que em 2012. No ano passado, o consumo no estado tinha crescido 16%.

INFOGRÁFICO: Veja a divisão do consumo dos paranaenses em 2013

Os dados fazem parte do estudo IPC Maps, que todo ano cruza dados da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) e faz um diagnóstico do perfil de consumo das famílias. Em todo o Brasil, os gastos devem somar R$ 3 trilhões, 11% mais do que em 2012. Segundo o estudo, o Paraná perdeu participação no bolo nacional – de 6,27% em 2012 para 6,15% neste ano.

Classe B

A perda de fôlego foi provocada pelo pé no freio da classe B – famílias com renda entre R$ 3.729,16 e R$ 7.437,62 – no total do bolo de gastos.

Em 2012, essa parcela da população respondeu por 52,8% dos gastos. Em 2013, a participação foi para 51,7%. “Parte dessa diminuição se deve ao fato de a classe B estar mais endividada. Com isso, o fôlego visto em alguns gastos em 2012, como viagens, lazer e educação, não se repetirá em 2013”, diz Marcos Pazzini, diretor da IPC Editora, que publica o IPC Maps. Segundo ele, estados e cidades onde há grande participação da classe B tiveram redução de participação nacional.

Foi o que ocorreu com Curitiba, que aparece como a sexta cidade em potencial de consumo. A capital perdeu o posto de quinta colocada para Salvador. Deve somar gastos de R$ 43,2 bilhões, contra R$ 44,9 bilhões da capital baiana. São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte ocupam as primeiras posições.

Essa inversão já havia ocorrido em 2010, mas Curitiba recuperou a posição nos últimos dois anos. A classe B representa 57% dos gastos na capital.

Para Pazzini, o consumo não chega a dar sinais de esgotamento, ainda que esteja crescendo menos. Na avaliação dele, os anos de 2013 e 2014 ainda devem registrar um crescimento do consumo das famílias acima da média dos demais componentes da economia. Isso ocorre porque o nível de emprego se mantém elevado, há oferta de crédito e a Copa do Mundo, no próximo ano, deve contribuir para aquecer a economia.

Na opinião de Ramiro Gonçalez, pesquisador da FIA/USP, o crescimento menor do consumo significa que os investimentos terão de avançar mais para sustentar a economia em 2013, o que é pouco provável com a lenta retomada dos projetos do setor.

Inflação

Reajustes de preços deixam manutenção do lar 20% mais cara

Nada de cinema, cursos, viagens e compras. Em 2013, são os gastos básicos – como prestação da casa própria, aluguéis, condomínio, energia, telefonia, alimentação dentro de casa e transporte urbano – que estão pesando mais no bolso das famílias do Paraná. As despesas com manutenção do lar, que incluem aluguéis, energia, gás e internet, vão crescer 20% em 2013, para R$ 40 bilhões. Os dados são do estudo IPC Maps.

Ao todo, os gastos com manutenção do lar, prestações e financiamentos, alimentação em casa e transporte urbano vão responder por 52,56% do consumo das famílias do Paraná em 2013. No ano passado, essa participação era de 50,26%.

Segundo Marcos Pazzini, diretor da IPC Editora, o aumento é efeito de reajustes de preços no orçamento das famílias, que já vem pressionado pelo maior endividamento. Com isso, gastos com lazer, por exemplo, vão crescer menos em 2013.

No estudo de 2012, a despesa que mais cresceu foi a de viagens (19%), seguida pela educação privada (17,1%) e saúde (consultas, seguro-saúde, exames e hospitalização, com 17%). “Agora são os gastos com o lar que vão avançar mais, seguido pelos transporte público”, diz Pazzini.

Para Ramiro Gonçalez, pesquisador da FIA/USP, um fator que pode contribuir para esse cenário é o recorde de entregas de imóveis neste ano. “Muita gente mudou para a casa própria e passou a incorporar gastos como o condomínio e a prestação. Com isso, também o dinheiro que vinha sendo direcionado para outras áreas vai ficar concentrado nesses itens”, diz.

PONTA DO LÁPIS

Com carro novo, viagem e tablet, orçamento ficou mais apertado
Da Redação, com colaboração de Lucas Gabriel de Marins, especial para a Gazeta do Povo
Os gastos da família Nakagawa subiram nos últimos anos, principalmente por causa de aumentos nas contas fixas. Mais da metade do orçamento – 70% – é reservado para pagar condomínio, prestação de apartamento, compras no supermercado, alimentação, plano de saúde e educação. O reajuste da escola da filha Letícia, de 4 anos, foi de 10% neste ano. “Do nosso orçamento, 20% vai para a mensalidade”, diz Claudinéia Nakagawa.
Mas a família também foi às compras nos últimos meses. Ao trocar de carro, incorporou uma prestação de R$ 1,5 mil do financiamento no orçamento mensal. Outra conta que ficou mais cara foi a de combustível. O casal gasta R$ 100 por semana com gasolina, R$ 30 a mais que no ano passado, porque o carro novo consome mais combustível.
Roupas
O vestuário também pesa no orçamento. Claudinéia não tem na ponta do lápis o quanto gasta com roupas, mas percebe a alta nos preços. “Toda vez que faço compras sinto que tudo aumentou”, diz. Além das roupas e do carro novo, a compra de um tablet colaborou com o crescimento das despesas.
Alternativa
Para as contas não “explodirem”, Claudinéia e o marido, proprietários de uma hortifrutigranjeira no bairro Seminário, deixaram de comer fora por causa da alta nos preços. A economia por mês, segundo ela, é de R$ 600. “Dá uma diferença bem grande fazer comida em casa em vez de sair”, conta.