Juros Abusivos Também Querem Tomar Cerveja

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Os bancos HSBC, Credit Suisse e ING foram à Justiça para cobrar 530 milhões de reais da Cervejaria Petrópolis, dona das marcas Itaipava, Crystal e Petra. Os processos, no entanto, não têm nada a ver com cerveja. Os bancos acusam a empresa de ser dona oculta de uma processadora de soja chamada Imcopa, que deu um calote bilionário na praça. Como a Imcopa não paga, querem que a Petrópolis honre as dívidas com eles.
A Imcopa é líder na produção de derivados de soja não transgênica no país, deve quase 1 bilhão de reais no total e está enrolada com os credores faz tempo. Renegociou as dívidas em 2009, mas não cumpriu os acordos que fez. Em janeiro, pediu recuperação judicial.
Os bancos alegam nas ações que foram enganados todo esse tempo. Afirmam que nos últimos quatro anos a Petrópolis se apropriou da Imcopa por baixo do pano – tudo tramado para ficar com as receitas bilionárias do negócio, sem ter de responder pelas dívidas. Na Justiça, pedem o reconhecimento dessa situação, para assim cobrar a cervejaria. O HSBC cobra 380 milhões de reais, o Credit Suisse 90 milhões de reais e o ING, 50 milhões de reais.
Em VEJA desta semana, uma reportagem sobre o dono da Cervejaria Petrópolis, Walter Faria – conhecido por “Wárti” -, coloca o negócio sob mais suspeitas. O empresário, com fortuna avaliada em 4,6 bilhões de dólares, chegou ao posto de 12º homem mais rico do Brasil, de acordo com a revista Forbes. Apesar do sucesso, concorrentes o acusam de plágio e sonegação de impostos.
Segunda maior cervejaria do país, com faturamento de 5 bilhões de reais por ano, a Petrópolis afirmou, por meio de nota, que as ações dos bancos são indevidas e que não tem qualquer participação na Imcopa. As duas teriam apenas um acordo comercial, pelo qual a Imcopa produz derivados de soja mediante encomenda para o Grupo Petrópolis, que comercializa os produtos finais.
A Imcopa respondeu a mesma coisa, por e-mail. Sobre a acusação de que teria enganado os bancos, afirmou que jamais faltou com seus compromissos, embora as instituições lhe tenham imposto um fluxo de pagamento inaceitável.
(com Estadão Conteúdo)