Bancos renegociam fácil dívidas de Eike Batista

20130718-101935.jpg
Os bancos que financiaram a ascensão do grupo EBX, do empresário Eike Batista, estão liderando os esforços de refinanciamento da dívida do conglomerado e devem conseguir limitar suas perdas potenciais. Mas os detentores de bônus, por outro lado, podem ficar com muito pouco.
Alguns dos maiores bancos do Brasil estão refinanciando dívidas e alongando alguns pagamentos da EBX, afirmou uma fonte com conhecimento direto da situação à Reuters. Os bancos também estão recebendo parte da dívida com recursos provenientes da venda de ativos. As instituições estão recebendo mais garantias na forma de ativos e ações adicionais, mas não estão concedendo qualquer redução no valor principal das dívidas ou nos juros dos empréstimos, disse a fonte.
A pressão exercida por bancos privados e estatais sobre a EBX permitirá às instituições praticamente eliminar qualquer perda significativa resultante de suas exposições ao grupo, disseram analistas e advogados. Analistas estimam que a exposição está entre 15 bilhões e 25 bilhões de reais.
Mas detentores de bônus, incluindo a Pacific Investment Management, maior companhia de fundos de bônus do mundo, podem enfrentar pesadas perdas sobre seus investimentos na EBX. Conforme Eike vende ativos no esforço para salvar o que puder da EBX, o empresário está priorizando pagamentos dos empréstimos assegurados de bilhões de reais sobre outros tipos de dívida, disseram advogados.
Isso já está refletido nos preços dos bônus das companhias da EBX. Os bônus da OGX estão sendo negociados a cerca de 16% de seu valor de face. “A EBX e algumas de suas seis empresas listadas em bolsa e companhias privadas estão incluídas em uma liquidação organizada que provavelmente é dirigida pelos seus maiores bancos, essencialmente para pagar as instituições financeiras”, disseram analistas do Morgan Stanley em relatório a clientes.
A EBX informou em comunicado à Reuters que recentemente encerrou uma reestruturação de dívida, sem detalhar se era com bancos ou com outros credores. A empresa não respondeu a uma questão sobre se o plano favoreceu bancos sobre detentores de bônus. A OGX não tem planos para reestruturar sua dívida, disse uma porta-voz.
Nas últimas semanas, OGX, OSX e LLX pagaram parcial ou totalmente empréstimos contraídos junto ao Itaú Unibanco e Bradesco, o que incentivou preocupações de detentores de bônus de que os compromissos estão sendo quitados às suas custas. Itaú e Bradesco não comentaram sobre suas exposições à EBX.
(Com Reuters)