Brasil possui menor taxa inadimplência e maior taxa de juros do mundo, aponta BC

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A inadimplência no mercado de crédito brasileiro no segmento de recursos livres (que excluem habitação, BNDES e crédito rural) ficou em 5,2% em junho, representando queda em relação a maio, quando registrou 5,5%. As informações foram divulgadas nesta sexta-feira pelo Banco Central.
Os atrasos nos pagamentos acima de 90 dias atingiram o menor patamar desde julho de 2011 (5,1%) e interromperam dois meses de estabilidade. A queda de 0,3 ponto porcentual no mês passado foi a maior desde o início da nova série histórica do BC, em março de 2011.
Levando em consideração os recursos totais no mercado de crédito brasileiro, incluindo também os recursos direcionados (destinados a fins específicos), a inadimplência também recuou em junho, a 3,4%, ante 3,6% em maio.
Juro médio — A taxa média de juros no crédito livre subiu de 25,8% ao ano em maio para 26,5% ao ano em junho. Para a pessoa física, a taxa média de juros no crédito livre passou de 34,2% ao ano para 34,9% ao ano, no período, enquanto para a pessoa jurídica, avançou de 18,5% ao ano para 19,3% ao ano.
Entre as principais linhas de crédito livre para a pessoa física, destaque para o cheque especial, cuja taxa subiu de 136,3% ao ano para 136,8% ao ano na mesma comparação. Para o crédito pessoal, avançou de 36,7% ao ano para 38,1% ao ano. Para veículos, por outro lado, os juros caíram de 19,7% ao ano para 19,5% ao ano. A taxa média de juros no crédito total, que inclui também as operações direcionadas, subiu de 18,1% ao ano em maio para 18,5% ao ano em junho. O juro médio do crédito direcionado passou de 6,9% ao ano para 7,1% ao ano na mesma comparação.
Os juros continuam influenciados pelo ciclo de aperto monetário, iniciado em abril passado e que já elevou a Selic em 1,25 ponto percentual, para o patamar atual de 8,50%. O BC afirma que seu objetivo é combater a inflação e já indicou que deverá promover novas altas na taxa básica de juros.
O discurso no governo é de que a inflação vai ceder. Neste mês, o IPCA-15 mostrou desaceleração da alta para 0,07%, voltando no acumulado em 12 meses a ficar abaixo do teto da meta do governo, com 6,40%.
Estoque — O BC informou ainda que o estoque total de crédito no Brasil subiu 1,8% em junho ante maio, chegando a 2,532 trilhões de reais, ou 55,2% do Produto Interno Bruto (PIB). No trimestre encerrado no mês passado, a carteira cresceu 4,3% e, no primeiro semestre do ano, houve alta de 6,9%. Em 12 meses até junho, a elevação foi de 16,4%.
De acordo com a autoridade monetária, o crédito livre aumentou 0,9% no mês e 9,7% em 12 meses, enquanto o direcionado subiu 2,9% em junho e 26,6% em 12 meses. No crédito livre, houve crescimento de 0,2% para pessoas físicas no mês, 3,3% no acumulado do ano e 7,9% em 12 meses. Para as empresas, no crédito livre, houve expansão de 1,7% no mês e altas de 3,4% no ano e de 11,6% em 12 meses. O BC informou ainda que o total de operações de crédito em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) passou de 54,7% em maio para 55,2% em junho.
(com Estadão Conteúdo e Reuters)