Banqueiro Indio da Costa está ‘na pior’ – esquiando no Chile


Para quem pensava que o banqueiro Luis Octavio Indio da Costa estava ‘na pior’, os maus ventos incluem até mesmo férias no Chile. Após ficar preso por mais de três semanas no final de 2012, acusado de ter cometido crimes financeiros no banco que presidia, o Cruzeiro do Sul, ter seu passaporte apreendido e todos os bens bloqueados, o enroscado executivo conseguiu autorização judicial para viajar ao Chile com o filho Octavio durante as férias de julho. Como se trata do território chileno, Indio da Costa não precisou apresentar passaporte – o documento se encontra em poder da Justiça.
A autorização para que o banqueiro deixasse o país entre 18 de julho e 1º de agosto foi concedida pela 2ª Vara da Justiça Federal de São Paulo, onde corre o processo contra ele e os demais dirigentes do banco extinto, após sofrer intervensão e ser liquidado pelo Banco Central.
Segundo uma fonte próxima, o empresário viajou porque queria “levar o filho para passar férias em uma estação de esqui no Chile”. O dinheiro para custear a viagem – tendo em vista que seus bens permanecem bloqueados – veio de parentes próximos. E as passagens foram compradas com milhas aéreas – situação pouco usual para quem estava habituado a uma rotina de ostentação que incluía bancar shows privados de Elton John e Tony Bennett.
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Como justificativa para a decisão, o juiz responsável entendeu que a viagem não representava nenhum perigo para as investigações. “Considerando que a soltura do requerente não foi condicionada ao cumprimento de nenhuma medida cautelar, bem como que nas duas ações penais não há determinação de qualquer medida restritiva, defiro o pedido de viagem”, informa a autorização judicial. O documento ainda exigia que Luis Octavio comparecesse à 2ª Vara no prazo de 48 horas após seu retorno ao Brasil.
De acordo com a Justiça, o banqueiro continua proibido de “exercer qualquer atividade de natureza financeira ou realizar atos de disposição de bens próprios ou de terceiros”.
Luis Octavio e seu pai, Luis Felippe Indio Costa, são acusados de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, crimes contra o sistema financeiro, gestão fraudulenta, estelionato, apropriação indébita, caixa dois e crimes contra o mercado de capitais. Outros 15 ex-diretores do banco também são investigados pela Justiça pela prática de crimes financeiros.
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Escândalo – O banco Cruzeiro do Sul, que era controlado por Luis Octavio e Luis Felippe, está em processo de liquidação extrajudicial desde setembro de 2012, depois de sofrer intervenção do BC e não conseguir reunir compradores interessados em assumir a instituição. Entre os escândalos ligados à instituição, existem provas da existência de um esquema de empréstimos falsos feitos com CPFs de correntistas, manipulação de números do balanço e irregularidades em fundos de investimento. O Cruzeiro do Sul também vendia cotas de Fundos de Investimento em Participações (FIPs) de maneira irregular. Parte do dinheiro aplicado nessas carteiras era direcionada para abastecer empresas dos próprios controladores, que acabavam por embolsar os valores. Estima-se que o esquema ilegal tenha drenado mais de 3 bilhões de reais do banco.
O banqueiro ficou preso por quase 20 dias entre final de outubro e início de novembro de 2012, depois de a Polícia Federal ter pedido sua prisão preventiva diante da tentativa de movimentação de bens no exterior, que estavam bloqueados pela Justiça. O ex-controlador do Cruzeiro do Sul deixou o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Pinheiros, em São Paulo, depois de ter obtido um habeas corpus junto ao Tribunal de Justiça de São Paulo. No mesmo período, seu pai, Luis Felippe, ficou recluso em prisão domiciliar devido à idade avançada – mais de 80 anos.
Att.,
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OAB/PR 2.375